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Guia · Preço e pesquisa

Por quanto fecha uma licitação: como pesquisar o preço antes do lance

O preço que o governo pagou da última vez é público. Pesquisar direito antes da sessão é o que separa o lance calculado do lance no susto.

6 min de leitura

A resposta curta

Para saber por quanto uma licitação deve fechar, pesquise o preço homologado do mesmo item em compras anteriores — o valor que o governo de fato pagou, publicado no PNCP depois da homologação — e compare com o valor estimado do edital. Use a mediana de vários resultados, não um preço só, sempre na mesma unidade de fornecimento e, de preferência, na mesma região e no último ano. O estimado é o teto; o homologado mostra onde a disputa costuma parar.

A diferença entre os dois é o deságio. Se o edital estimou R$ 10,00 e o item saiu por R$ 7,00, o deságio foi de 30%. Em item com muitos fornecedores ele tende a ser grande; em item com poucos, pequeno.

De onde vem o preço do edital

O valor estimado não é chute. A Lei 14.133 manda o órgão fazer uma pesquisa de preços com parâmetros como estes:

  • Painéis oficiais de preços e o banco de preços em saúde, disponíveis no PNCP.
  • Contratações parecidas de outros órgãos, feitas no último ano.
  • Tabelas de referência, mídia especializada e sites especializados ou de comércio, com data e hora do acesso.
  • Cotação direta com pelo menos três fornecedores.
  • A base nacional de notas fiscais eletrônicas.

No governo federal, o detalhe está na IN SEGES nº 65/2021. Ela dá prioridade aos painéis oficiais, como o Painel de Preços, e às contratações de outros órgãos; pede pelo menos três preços; e permite calcular a estimativa pela média, pela mediana ou pelo menor valor, descartando os preços que destoam. Estados e municípios podem ter regulamento próprio, e muitos seguem a regra federal. Obras e serviços de engenharia usam outra régua: tabelas de custo como SINAPI e SICRO.

Como pesquisar o preço, passo a passo

  1. 1. Descreva o item como o governo descreve

    Leia a especificação no termo de referência: marca, medida, embalagem. Nas compras federais, o item tem código no catálogo do governo — CATMAT para materiais, CATSER para serviços —, e pesquisar pelo código evita comparar coisas diferentes. Em estados e municípios o código muitas vezes não vem, e a comparação é pela descrição.

  2. 2. Junte resultados homologados

    Procure o mesmo item em licitações já homologadas: no PNCP, abrindo os itens com resultado; no Painel de Preços do governo federal, que reúne os preços homologados no sistema federal de compras; e nas páginas de preço do Licitário, que mostram a mediana por item.

  3. 3. Use a mediana, não a média

    Um preço fora da curva puxa a média para cima ou para baixo. A mediana é o valor do meio da lista em ordem e não se deixa levar pelos extremos.

  4. 4. Corte por região e por data

    Preço de outro estado embute outro frete; preço de dois anos atrás, outra inflação. Prefira resultados do seu estado e do último ano. Se usar preço antigo, corrija pela inflação do período.

  5. 5. Compare com o estimado e com o seu custo

    O estimado é o teto. O homologado mostra onde a disputa costuma parar. O seu custo, com frete e imposto, diz se você aguenta chegar lá. Anote o seu preço mínimo antes da sessão e respeite.

Média, mediana e faixa: um exemplo

Imagine cinco homologações do mesmo item, na mesma unidade: R$ 8, R$ 9, R$ 10, R$ 10 e R$ 40. A última foi uma compra pequena, com entrega difícil.

MedidaValorO que diz
MédiaR$ 15,40Distorcida pelo R$ 40: nenhuma compra fechou perto disso
MedianaR$ 10,00O valor do meio: é onde o item costuma fechar
Faixa típicaR$ 9,00 a R$ 10,00Onde está o miolo dos resultados

Quem calcula o lance pela média desse exemplo acha que tem mais de 50% de folga e perde por muito. É por isso que as páginas de preço do Licitário mostram a mediana e a faixa típica, e não a média.

As armadilhas que estragam a comparação

  • Unidade de fornecimento diferente. "Caixa com 12", "pacote com 500 folhas", "resma", "unidade": o mesmo produto, preços que não se comparam. Converta tudo para a mesma unidade antes de calcular.
  • Serviço com material junto. "Fornecimento de refeições" inclui cozinha, gente e entrega; "gêneros alimentícios" é só o alimento. Instalação, frete e garantia também mudam o preço.
  • Quantidade muito diferente. Quem compra 10 mil unidades costuma pagar menos por unidade do que quem compra 50.
  • Entrega e prazo. Entregar tudo num galpão não custa o mesmo que entregar toda semana em vinte escolas.
  • Orçamento sigiloso. Alguns editais escondem o valor estimado durante a disputa: é o orçamento sigiloso. Nesse caso, o histórico de homologados é a sua única régua.
  • Preço baixo demais. Lance muito abaixo do mercado pode ser tratado como preço inexequível. Em obras e serviços de engenharia, a lei considera inexequível a proposta abaixo de 75% do valor orçado pelo órgão.

Onde pesquisar no Licitário

As páginas de preço são abertas: para cada item com homologações suficientes, mostram a mediana do preço pago, a faixa típica, o corte por estado e a tendência dos últimos meses, a partir dos resultados publicados no PNCP. Na página de cada licitação, quando há histórico, um bloco mostra por quanto alguns itens daquele edital costumam sair.

Os agregados de preço também saem em CSV, com licença aberta, na página de dados abertos. A busca por qualquer item, o preço por órgão e a série completa ficam no Analytics, que é pago.

Perguntas frequentes

O preço que venceu uma licitação é público?
É. Depois da homologação, o PNCP publica o vencedor de cada item com os valores unitário e total homologados. O guia como saber quem ganhou uma licitação mostra onde olhar.
Qual a diferença entre valor estimado e valor homologado?
O estimado é o que o órgão calculou antes da compra, com a pesquisa de preços, e costuma ser o teto. O homologado é o preço que de fato venceu. A diferença entre os dois é o deságio.
Por que usar a mediana e não a média?
Porque um preço fora da curva distorce a média. A mediana é o valor do meio e mostra onde o item costuma fechar.
O que são CATMAT e CATSER?
São os catálogos de materiais (CATMAT) e de serviços (CATSER) do governo federal. Cada item tem um código; pesquisar preço pelo código evita comparar produtos diferentes que têm o mesmo nome.
O que é o Painel de Preços?
É a ferramenta do governo federal que reúne os preços homologados nas compras feitas pelo sistema federal, com pesquisa por item e por código de catálogo. A IN SEGES 65/2021 dá prioridade a ela na pesquisa de preços dos órgãos federais.

Os termos deste texto, explicados

Cada verbete traz o trecho como aparece no edital, a tradução em português e por que aquilo importa para você.

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Este conteúdo explica regras públicas em linguagem simples e não substitui a leitura integral do edital nem orientação jurídica. Regras, prazos e valores podem mudar por lei, decreto ou regulamento do órgão — o que vale para a sua disputa é o que está no edital.