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Blog · Pesquisa de mercado

Pesquisa de mercado antes de dar o preço

O órgão faz uma pesquisa de mercado para saber quanto pagar. Você precisa fazer a sua para saber por quanto dá para vender sem sair no prejuízo. São duas pesquisas diferentes.

4 min de leitura

São duas pesquisas de mercado, não uma

Antes de abrir a licitação, o órgão faz uma pesquisa de mercado para estimar quanto custa o que ele quer comprar. Esse número vira o preço estimado e, muitas vezes, o teto: proposta acima dele costuma ser desclassificada. Isso está no processo e no edital.

Essa é a pesquisa do comprador. Você, do outro lado, precisa fazer a sua — que responde a outra pergunta. A do órgão diz "quanto isso vale no mercado". A sua diz "por quanto EU consigo entregar isso sem sair no vermelho, e onde o preço vai parar na disputa". Confundir as duas é o começo da proposta mal calculada.

Os três números que você precisa antes de precificar

  • Seu custo real de entrega — não o preço de balcão, mas o custo de comprar, transportar até a cidade do órgão, pagar imposto do seu regime e esperar o pagamento sair.
  • O teto do edital — o valor estimado, que costuma ser o máximo aceito. Passar dele é desclassificar sozinho.
  • Onde o preço costuma parar — o quanto aquele item costuma cair na disputa, olhando resultados anteriores do mesmo objeto.

Com esses três números você sabe se há espaço entre o seu custo e o teto, e se esse espaço sobrevive à disputa. Se o preço da disputa costuma ficar abaixo do seu custo, a resposta honesta é não participar daquele item — e isso também é resultado da pesquisa.

Onde buscar cada número

FonteO que ela te dáCuidado
Cotação de fornecedoresSeu custo de aquisição atualizadoPeça na quantidade do edital, não na de varejo
Resultados de licitações encerradasPor quanto o mesmo item foi homologadoCompare mesma região e leia o termo de referência
Atas de registro de preçosPreço registrado e prazo de vigênciaPreço de ata pode embutir entrega parcelada
Valor estimado do editalO teto e a expectativa do órgãoÉ estimativa; a disputa costuma derrubar

Resultados e atas são públicos. O preço que a concorrência praticou não é segredo depois da homologação — está no PNCP junto ao resultado, e a ata de registro de preços traz item, preço e vigência. A página de um órgão reúne o histórico de compras dele.

Monte a planilha antes de disputar

  1. Leia o objeto pela linguagem do edital

    Pesquise pelo objeto como a administração escreve, não como você chama no dia a dia. Item errado gera comparação errada.

  2. Extraia as condições do termo de referência

    Quantidade, número de entregas, local, prazo de pagamento e exigências de embalagem estão no termo de referência. Cada um é custo.

  3. Some o custo total de entrega

    Aquisição mais frete até a cidade, mais imposto do seu regime, mais o custo de esperar o pagamento. Esse é o seu piso real.

  4. Compare com o teto e com o histórico

    Se entre o seu piso e o teto do edital há folga que sobrevive ao preço praticado em disputas anteriores, vale disputar. Se não há, passe para o próximo edital.

O preço estimado do edital: use sem se enganar

O valor estimado é um bom ponto de partida, mas não é o preço final. A diferença entre a estimativa e o valor pelo qual o item costuma ser homologado mostra o quanto aquele objeto cai na disputa. Um item que sempre fecha 40% abaixo da estimativa não vai fechar perto do teto só porque foi a sua vez.

Preço competitivo x preço que se sustenta

A pesquisa de mercado bem feita não serve para você dar o menor preço do mundo. Serve para você saber, antes de a adrenalina da sessão decidir por você, qual é o menor preço que ainda te deixa entregar e receber sem prejuízo. Ganhar abaixo desse piso prende você a um contrato ruim.

Feito uma vez com método, isso vira rotina. Você guarda a planilha de custos por item, atualiza a cotação de fornecedor de vez em quando e, a cada nova proposta, só ajusta o que mudou. A segunda pesquisa leva um quarto do tempo da primeira.

Perguntas frequentes

A pesquisa de mercado do órgão é a mesma que eu preciso fazer?
Não. A do órgão estima o preço de referência e o teto. A sua calcula o seu custo real de entrega e onde o preço costuma parar na disputa. São perguntas diferentes.
Onde vejo por quanto o item já foi vendido ao governo?
Nos resultados de licitações encerradas e nas atas de registro de preços, públicos no PNCP depois da homologação, com item, preço e quantidade.
Posso propor acima do valor estimado do edital?
Em regra não. O valor estimado costuma ser o teto, e proposta acima dele tende a ser desclassificada. Confira no edital como o estimado é tratado naquela licitação.
Como me proteger de uma acusação de preço muito baixo?
Tendo a planilha de custos pronta. Ela comprova, numa diligência, que o seu preço cobre a execução — o que evita a desclassificação por preço inexequível.

Os termos deste texto, explicados

Cada verbete traz o trecho como aparece no edital, a tradução em português e por que aquilo importa para você.

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Este conteúdo explica regras públicas em linguagem simples e não substitui a leitura integral do edital nem orientação jurídica. Regras, prazos e valores podem mudar por lei, decreto ou regulamento do órgão — o que vale para a sua disputa é o que está no edital.