Blog · Pesquisa de mercado
Pesquisa de mercado antes de dar o preço
O órgão faz uma pesquisa de mercado para saber quanto pagar. Você precisa fazer a sua para saber por quanto dá para vender sem sair no prejuízo. São duas pesquisas diferentes.
São duas pesquisas de mercado, não uma
Antes de abrir a licitação, o órgão faz uma pesquisa de mercado para estimar quanto custa o que ele quer comprar. Esse número vira o preço estimado e, muitas vezes, o teto: proposta acima dele costuma ser desclassificada. Isso está no processo e no edital.
Essa é a pesquisa do comprador. Você, do outro lado, precisa fazer a sua — que responde a outra pergunta. A do órgão diz "quanto isso vale no mercado". A sua diz "por quanto EU consigo entregar isso sem sair no vermelho, e onde o preço vai parar na disputa". Confundir as duas é o começo da proposta mal calculada.
Os três números que você precisa antes de precificar
- Seu custo real de entrega — não o preço de balcão, mas o custo de comprar, transportar até a cidade do órgão, pagar imposto do seu regime e esperar o pagamento sair.
- O teto do edital — o valor estimado, que costuma ser o máximo aceito. Passar dele é desclassificar sozinho.
- Onde o preço costuma parar — o quanto aquele item costuma cair na disputa, olhando resultados anteriores do mesmo objeto.
Com esses três números você sabe se há espaço entre o seu custo e o teto, e se esse espaço sobrevive à disputa. Se o preço da disputa costuma ficar abaixo do seu custo, a resposta honesta é não participar daquele item — e isso também é resultado da pesquisa.
Onde buscar cada número
| Fonte | O que ela te dá | Cuidado |
|---|---|---|
| Cotação de fornecedores | Seu custo de aquisição atualizado | Peça na quantidade do edital, não na de varejo |
| Resultados de licitações encerradas | Por quanto o mesmo item foi homologado | Compare mesma região e leia o termo de referência |
| Atas de registro de preços | Preço registrado e prazo de vigência | Preço de ata pode embutir entrega parcelada |
| Valor estimado do edital | O teto e a expectativa do órgão | É estimativa; a disputa costuma derrubar |
Resultados e atas são públicos. O preço que a concorrência praticou não é segredo depois da homologação — está no PNCP junto ao resultado, e a ata de registro de preços traz item, preço e vigência. A página de um órgão reúne o histórico de compras dele.
Monte a planilha antes de disputar
Leia o objeto pela linguagem do edital
Pesquise pelo objeto como a administração escreve, não como você chama no dia a dia. Item errado gera comparação errada.
Extraia as condições do termo de referência
Quantidade, número de entregas, local, prazo de pagamento e exigências de embalagem estão no termo de referência. Cada um é custo.
Some o custo total de entrega
Aquisição mais frete até a cidade, mais imposto do seu regime, mais o custo de esperar o pagamento. Esse é o seu piso real.
Compare com o teto e com o histórico
Se entre o seu piso e o teto do edital há folga que sobrevive ao preço praticado em disputas anteriores, vale disputar. Se não há, passe para o próximo edital.
O preço estimado do edital: use sem se enganar
O valor estimado é um bom ponto de partida, mas não é o preço final. A diferença entre a estimativa e o valor pelo qual o item costuma ser homologado mostra o quanto aquele objeto cai na disputa. Um item que sempre fecha 40% abaixo da estimativa não vai fechar perto do teto só porque foi a sua vez.
Preço competitivo x preço que se sustenta
A pesquisa de mercado bem feita não serve para você dar o menor preço do mundo. Serve para você saber, antes de a adrenalina da sessão decidir por você, qual é o menor preço que ainda te deixa entregar e receber sem prejuízo. Ganhar abaixo desse piso prende você a um contrato ruim.
Feito uma vez com método, isso vira rotina. Você guarda a planilha de custos por item, atualiza a cotação de fornecedor de vez em quando e, a cada nova proposta, só ajusta o que mudou. A segunda pesquisa leva um quarto do tempo da primeira.
Perguntas frequentes
- A pesquisa de mercado do órgão é a mesma que eu preciso fazer?
- Não. A do órgão estima o preço de referência e o teto. A sua calcula o seu custo real de entrega e onde o preço costuma parar na disputa. São perguntas diferentes.
- Onde vejo por quanto o item já foi vendido ao governo?
- Nos resultados de licitações encerradas e nas atas de registro de preços, públicos no PNCP depois da homologação, com item, preço e quantidade.
- Posso propor acima do valor estimado do edital?
- Em regra não. O valor estimado costuma ser o teto, e proposta acima dele tende a ser desclassificada. Confira no edital como o estimado é tratado naquela licitação.
- Como me proteger de uma acusação de preço muito baixo?
- Tendo a planilha de custos pronta. Ela comprova, numa diligência, que o seu preço cobre a execução — o que evita a desclassificação por preço inexequível.
Os termos deste texto, explicados
Cada verbete traz o trecho como aparece no edital, a tradução em português e por que aquilo importa para você.
- PropostaÉ a sua oferta formal: o que você entrega, por quanto, e por quantos dias esse preço fica de pé. "Nele incluídos todos os custos" é a frase mais cara do edital — quer dizer que frete, imposto, embalagem, mão de obra e qualquer despesa já estão dentro do preço que você digitou. Depois não se acrescenta nada.
- Termo de referência (TR)É o anexo que descreve com detalhe o que vai ser comprado: marca de referência, medidas, prazo de entrega, garantia, onde entregar, como será fiscalizado, quando o órgão paga. Em obra e serviço de engenharia o documento equivalente costuma se chamar projeto básico.
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Este conteúdo explica regras públicas em linguagem simples e não substitui a leitura integral do edital nem orientação jurídica. Regras, prazos e valores podem mudar por lei, decreto ou regulamento do órgão — o que vale para a sua disputa é o que está no edital.