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Blog · Composição de custos

Composição de custos: como montar a sua

O preço que você digita é a ponta. Embaixo dele existe uma planilha de custos que precisa fechar — e é ela que te defende quando o órgão desconfia que o preço é baixo demais.

4 min de leitura

O que é e onde ela aparece

A composição de custos é a planilha que mostra, item por item, de onde vem o seu preço. Em serviços com mão de obra e em obras ela costuma ser obrigatória: vem como anexo do edital, com um modelo a preencher, e é entregue junto da proposta.

Ela serve a duas coisas. Primeiro, provar ao órgão que o seu preço cobre tudo o que o termo de referência exige. Segundo, defender você: se o preço vier agressivo e o pregoeiro abrir diligência por suspeita de preço inexequível, é a planilha que comprova que a conta fecha.

As camadas da planilha

Toda composição, simples ou complexa, tem as mesmas camadas empilhadas.

CamadaO que entra
Custos diretosMão de obra (salário + encargos + benefícios) e insumos ou materiais aplicados no serviço
Custos indiretosAdministração, supervisão, equipamentos, deslocamento — o que apoia a execução
TributosISS, PIS, COFINS e demais que incidem sobre o faturamento, conforme o seu regime
LucroA margem que sobra para a empresa depois de tudo

Em obras e serviços de engenharia essas camadas viram custos unitários mais o BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), o percentual que cobre despesas indiretas, tributos e lucro sobre o custo direto. O nome muda; a lógica é a mesma: nada pode ficar de fora, porque o edital diz que o preço já inclui todos os custos.

Mão de obra e encargos: onde mais se erra

É o pedaço que mais derruba planilha. Salário é a parte fácil; o que engana é o que vem grudado nele. Sobre a folha incidem encargos sociais (INSS patronal quando cabe, FGTS, férias, 13º, aviso prévio, adicionais) e benefícios previstos em convenção coletiva (vale-transporte, vale-alimentação, plano de saúde, quando exigidos).

Errar aqui tem dois lados. Subestimar os encargos gera um preço bonito que não paga a própria folha — e vira inadimplência lá na frente. Superestimar tira você da disputa por um custo que não existe. A base correta é a convenção coletiva da categoria e do município da execução, não a média que você carrega de cabeça.

Tributos pelo seu regime mudam tudo

O mesmo serviço tem custo tributário diferente conforme o seu regime. Uma empresa no Simples Nacional recolhe por uma alíquota unificada; no Lucro Presumido, PIS, COFINS, ISS, IRPJ e CSLL entram separados; no Lucro Real a conta muda de novo. Colar na planilha a alíquota de outro regime é erro clássico — e altera o preço final de um jeito que o concorrente percebe.

Composição numa ata de registro de preços

Cuidado redobrado quando o objeto vai para o Sistema de Registro de Preços. No SRP o seu preço não vale para uma compra só: ele fica registrado numa ata de registro de preços por um prazo, e o órgão compra aos poucos, quando precisa.

Isso muda a composição de custos. O preço registrado precisa se sustentar durante toda a vigência da ata, não só na semana do certame. Some a isso a carona: outros órgãos podem aderir à sua ata, dentro dos limites, aumentando a demanda. Ótimo para o faturamento — desde que a sua planilha tenha previsto escala, prazo e a variação de custo ao longo do período. Senão o preço que parecia bom em janeiro aperta em novembro.

Erros que derrubam a planilha

  • Conferir se todo item do termo de referência tem custo correspondente na planilha.
  • Usar a convenção coletiva certa para salários, encargos e benefícios.
  • Aplicar a alíquota tributária do seu regime, não uma média genérica.
  • Incluir frete, deslocamento e o número real de entregas ou postos de trabalho.
  • Deixar a planilha pronta para entregar em diligência, sem remontar às pressas.
  • Num registro de preços, checar se o preço aguenta toda a vigência da ata.

Perguntas frequentes

O que é composição de custos numa licitação?
É a planilha que detalha de onde vem o seu preço: mão de obra, encargos, insumos, tributos e lucro. Costuma ser exigida em serviços e obras, como anexo do edital.
Para que serve a planilha de custos?
Para provar que o preço cobre o que o edital pede e para defender você em diligência, quando o órgão suspeita de preço inexequível.
O que é BDI?
É o percentual, usado em obras e engenharia, que cobre despesas indiretas, tributos e lucro sobre o custo direto. Cumpre o papel das camadas de custos indiretos, tributos e lucro.
Meu regime tributário muda a planilha?
Muda bastante. Simples, Lucro Presumido e Lucro Real têm cargas diferentes sobre a receita. Usar a alíquota errada distorce o preço final para cima ou para baixo.
Preciso rever a composição num registro de preços?
Sim. No SRP o preço fica registrado por um prazo e pode atender caronas. A planilha tem que se sustentar por toda a vigência, não só no dia do certame.

Os termos deste texto, explicados

Cada verbete traz o trecho como aparece no edital, a tradução em português e por que aquilo importa para você.

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Este conteúdo explica regras públicas em linguagem simples e não substitui a leitura integral do edital nem orientação jurídica. Regras, prazos e valores podem mudar por lei, decreto ou regulamento do órgão — o que vale para a sua disputa é o que está no edital.