Blog · Composição de custos
Composição de custos: como montar a sua
O preço que você digita é a ponta. Embaixo dele existe uma planilha de custos que precisa fechar — e é ela que te defende quando o órgão desconfia que o preço é baixo demais.
O que é e onde ela aparece
A composição de custos é a planilha que mostra, item por item, de onde vem o seu preço. Em serviços com mão de obra e em obras ela costuma ser obrigatória: vem como anexo do edital, com um modelo a preencher, e é entregue junto da proposta.
Ela serve a duas coisas. Primeiro, provar ao órgão que o seu preço cobre tudo o que o termo de referência exige. Segundo, defender você: se o preço vier agressivo e o pregoeiro abrir diligência por suspeita de preço inexequível, é a planilha que comprova que a conta fecha.
As camadas da planilha
Toda composição, simples ou complexa, tem as mesmas camadas empilhadas.
| Camada | O que entra |
|---|---|
| Custos diretos | Mão de obra (salário + encargos + benefícios) e insumos ou materiais aplicados no serviço |
| Custos indiretos | Administração, supervisão, equipamentos, deslocamento — o que apoia a execução |
| Tributos | ISS, PIS, COFINS e demais que incidem sobre o faturamento, conforme o seu regime |
| Lucro | A margem que sobra para a empresa depois de tudo |
Em obras e serviços de engenharia essas camadas viram custos unitários mais o BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), o percentual que cobre despesas indiretas, tributos e lucro sobre o custo direto. O nome muda; a lógica é a mesma: nada pode ficar de fora, porque o edital diz que o preço já inclui todos os custos.
Mão de obra e encargos: onde mais se erra
É o pedaço que mais derruba planilha. Salário é a parte fácil; o que engana é o que vem grudado nele. Sobre a folha incidem encargos sociais (INSS patronal quando cabe, FGTS, férias, 13º, aviso prévio, adicionais) e benefícios previstos em convenção coletiva (vale-transporte, vale-alimentação, plano de saúde, quando exigidos).
Errar aqui tem dois lados. Subestimar os encargos gera um preço bonito que não paga a própria folha — e vira inadimplência lá na frente. Superestimar tira você da disputa por um custo que não existe. A base correta é a convenção coletiva da categoria e do município da execução, não a média que você carrega de cabeça.
Tributos pelo seu regime mudam tudo
O mesmo serviço tem custo tributário diferente conforme o seu regime. Uma empresa no Simples Nacional recolhe por uma alíquota unificada; no Lucro Presumido, PIS, COFINS, ISS, IRPJ e CSLL entram separados; no Lucro Real a conta muda de novo. Colar na planilha a alíquota de outro regime é erro clássico — e altera o preço final de um jeito que o concorrente percebe.
Composição numa ata de registro de preços
Cuidado redobrado quando o objeto vai para o Sistema de Registro de Preços. No SRP o seu preço não vale para uma compra só: ele fica registrado numa ata de registro de preços por um prazo, e o órgão compra aos poucos, quando precisa.
Isso muda a composição de custos. O preço registrado precisa se sustentar durante toda a vigência da ata, não só na semana do certame. Some a isso a carona: outros órgãos podem aderir à sua ata, dentro dos limites, aumentando a demanda. Ótimo para o faturamento — desde que a sua planilha tenha previsto escala, prazo e a variação de custo ao longo do período. Senão o preço que parecia bom em janeiro aperta em novembro.
Erros que derrubam a planilha
- Conferir se todo item do termo de referência tem custo correspondente na planilha.
- Usar a convenção coletiva certa para salários, encargos e benefícios.
- Aplicar a alíquota tributária do seu regime, não uma média genérica.
- Incluir frete, deslocamento e o número real de entregas ou postos de trabalho.
- Deixar a planilha pronta para entregar em diligência, sem remontar às pressas.
- Num registro de preços, checar se o preço aguenta toda a vigência da ata.
Perguntas frequentes
- O que é composição de custos numa licitação?
- É a planilha que detalha de onde vem o seu preço: mão de obra, encargos, insumos, tributos e lucro. Costuma ser exigida em serviços e obras, como anexo do edital.
- Para que serve a planilha de custos?
- Para provar que o preço cobre o que o edital pede e para defender você em diligência, quando o órgão suspeita de preço inexequível.
- O que é BDI?
- É o percentual, usado em obras e engenharia, que cobre despesas indiretas, tributos e lucro sobre o custo direto. Cumpre o papel das camadas de custos indiretos, tributos e lucro.
- Meu regime tributário muda a planilha?
- Muda bastante. Simples, Lucro Presumido e Lucro Real têm cargas diferentes sobre a receita. Usar a alíquota errada distorce o preço final para cima ou para baixo.
Os termos deste texto, explicados
Cada verbete traz o trecho como aparece no edital, a tradução em português e por que aquilo importa para você.
- Ata de registro de preços (ARP)É o documento que sai no fim de uma licitação por registro de preços: traz o item, o preço que você venceu, a quantidade estimada e por quanto tempo aquilo vale. Assinar a ata não é assinar contrato — é ficar "de prontidão" pelo preço registrado.
- Sistema de Registro de Preços (SRP)É a licitação em que o órgão não compra na hora: ele fixa o preço e o fornecedor por um período e vai comprando conforme a necessidade aparece. Você disputa uma vez e fica registrado como o fornecedor daquele item, sendo chamado aos poucos ao longo do prazo.
- CaronaÉ quando um órgão que não participou da licitação pega o preço já registrado por outro e compra em cima daquela ata, sem fazer licitação própria. No jargão, ele "pega carona".
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Este conteúdo explica regras públicas em linguagem simples e não substitui a leitura integral do edital nem orientação jurídica. Regras, prazos e valores podem mudar por lei, decreto ou regulamento do órgão — o que vale para a sua disputa é o que está no edital.