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Licitário

Blog · Precificação

Como precificar para licitação sem perder dinheiro

Vender ao governo não é vender no balcão. Errar o preço para cima faz você perder a disputa; errar para baixo faz você ganhar um prejuízo. Dá para montar o número certo.

4 min de leitura

Por que o preço do balcão não serve

O mesmo produto, para o mesmo cliente, custa diferente quando o comprador é um órgão público. Quem usa a tabela do dia a dia para montar a proposta quase sempre erra: para cima e perde a disputa, ou para baixo e ganha um contrato que dá prejuízo.

A diferença começa no objeto: o edital descreve exatamente o que quer, em que quantidade, com que prazo e onde entregar. Tudo isso é custo, e boa parte não aparece à primeira vista. Precificar bem é, antes de tudo, transformar o edital em uma lista de custos reais.

O que entra no preço que você não vê no balcão

Antes de pensar em margem, liste o que compõe o seu custo naquela contratação específica. É aqui que mora o dinheiro que costuma ficar de fora da conta:

Item de custoPor que pesa
Frete até o órgãoA entrega é no endereço do comprador, às vezes em várias unidades.
Número de entregasRemessa parcelada ao longo de meses custa mais do que uma entrega única.
Tributos do seu regimeSimples, presumido ou real mudam o preço final de forma relevante.
Prazo de pagamentoO governo paga depois do aceite; esse capital parado tem custo.
Amostra e laudoAlguns editais exigem amostra ou ensaio, e isso sai do seu bolso.

Onde achar a referência de preço

Você não precisa adivinhar quanto a concorrência vai pedir. O preço que venceu licitações parecidas é público: depois de encerrada, a compra fica registrada no PNCP com item, quantidade e valor. Comparar o que já foi homologado para o mesmo item, de preferência na sua região, é o melhor termômetro que existe.

Olhe também o valor estimado do próprio edital. A diferença entre a estimativa e o preço que costuma vencer mostra o quanto aquele item aperta na disputa: item que sempre cai 30% pede uma estratégia diferente de um que fecha perto da estimativa. A página de preços de referência reúne esse histórico para você não começar do zero a cada edital.

Montando a planilha na ordem certa

Com custo e referência na mão, monte a planilha na ordem que evita esquecimento — e guarde essa planilha, porque é ela que sustenta o seu preço se ele for questionado:

  1. Parta do custo de aquisição real

    O preço que você paga hoje pelo produto, não o de uma cotação antiga. Estoque já pago é vantagem; compra futura é risco a embutir.

  2. Some os custos da entrega

    Frete até a cidade do órgão, seguro e o número de remessas previstas no termo de referência.

  3. Aplique os tributos do seu regime

    Calcule pelo enquadramento real da empresa. ME e EPP no Simples têm carga diferente de quem está no lucro presumido.

  4. Embuta o custo do prazo

    Descubra na minuta quando o pagamento sai depois do aceite e trate esse intervalo como capital de giro emprestado.

  5. Defina a margem e o piso

    Só então acrescente o lucro — e anote o preço mínimo abaixo do qual você não desce, para respeitar na hora da sessão.

O piso que não se cruza

Existe um limite abaixo do qual o preço deixa de ser competitivo e passa a ser inviável: é o preço inexequível, a proposta tão baixa que não cobre os custos de execução. O órgão não é obrigado a aceitar de cara — pode abrir diligência para o licitante comprovar, com nota de compra e planilha, que consegue entregar por aquele valor. Em obras e serviços de engenharia há parâmetros que já presumem a inexequibilidade abaixo de certo ponto.

Enviou, o preço vale como está

Depois de enviada, a proposta é aquela. O edital diz que todos os custos já estão incluídos no preço — não se acrescenta frete, imposto nem reajuste depois. Por isso a conferência é antes do envio, nunca depois.

E lembre que preço não é só número: prazo de entrega irreal ou marca que você não consegue fornecer também derrubam a proposta, por mais barata que seja. Preço bom é o que você consegue cumprir do primeiro ao último item do objeto.

Perguntas frequentes

Posso usar meu preço de venda normal na licitação?
Não é recomendável. A venda ao governo tem frete até o órgão, entrega parcelada, prazo de pagamento e tributos do seu regime — tudo isso muda o custo. Monte o preço a partir do objeto do edital.
Como sei quanto a concorrência vai cobrar?
O preço que venceu licitações anteriores é público no PNCP. Comparar o que já foi homologado para o mesmo item, na sua região, é o melhor termômetro que existe.
Qual o risco de dar um preço muito baixo?
Além do prejuízo, a proposta pode ser considerada preço inexequível e você ter de comprovar que consegue entregar. Sem essa prova, é desclassificado.
Depois de enviar, dá para corrigir o preço?
Não para incluir custo esquecido. O edital considera que todos os custos já estão no valor ofertado. A conferência tem de acontecer antes do envio da proposta.
Preciso guardar planilha de custos?
Sim. Se o seu preço for questionado como baixo demais, é a planilha que comprova a viabilidade numa diligência — e é ela que te mostra o piso na hora do lance.

Os termos deste texto, explicados

Cada verbete traz o trecho como aparece no edital, a tradução em português e por que aquilo importa para você.

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Este conteúdo explica regras públicas em linguagem simples e não substitui a leitura integral do edital nem orientação jurídica. Regras, prazos e valores podem mudar por lei, decreto ou regulamento do órgão — o que vale para a sua disputa é o que está no edital.