Blog · Precificação
Como precificar para licitação sem perder dinheiro
Vender ao governo não é vender no balcão. Errar o preço para cima faz você perder a disputa; errar para baixo faz você ganhar um prejuízo. Dá para montar o número certo.
Por que o preço do balcão não serve
O mesmo produto, para o mesmo cliente, custa diferente quando o comprador é um órgão público. Quem usa a tabela do dia a dia para montar a proposta quase sempre erra: para cima e perde a disputa, ou para baixo e ganha um contrato que dá prejuízo.
A diferença começa no objeto: o edital descreve exatamente o que quer, em que quantidade, com que prazo e onde entregar. Tudo isso é custo, e boa parte não aparece à primeira vista. Precificar bem é, antes de tudo, transformar o edital em uma lista de custos reais.
O que entra no preço que você não vê no balcão
Antes de pensar em margem, liste o que compõe o seu custo naquela contratação específica. É aqui que mora o dinheiro que costuma ficar de fora da conta:
| Item de custo | Por que pesa |
|---|---|
| Frete até o órgão | A entrega é no endereço do comprador, às vezes em várias unidades. |
| Número de entregas | Remessa parcelada ao longo de meses custa mais do que uma entrega única. |
| Tributos do seu regime | Simples, presumido ou real mudam o preço final de forma relevante. |
| Prazo de pagamento | O governo paga depois do aceite; esse capital parado tem custo. |
| Amostra e laudo | Alguns editais exigem amostra ou ensaio, e isso sai do seu bolso. |
Onde achar a referência de preço
Você não precisa adivinhar quanto a concorrência vai pedir. O preço que venceu licitações parecidas é público: depois de encerrada, a compra fica registrada no PNCP com item, quantidade e valor. Comparar o que já foi homologado para o mesmo item, de preferência na sua região, é o melhor termômetro que existe.
Olhe também o valor estimado do próprio edital. A diferença entre a estimativa e o preço que costuma vencer mostra o quanto aquele item aperta na disputa: item que sempre cai 30% pede uma estratégia diferente de um que fecha perto da estimativa. A página de preços de referência reúne esse histórico para você não começar do zero a cada edital.
Montando a planilha na ordem certa
Com custo e referência na mão, monte a planilha na ordem que evita esquecimento — e guarde essa planilha, porque é ela que sustenta o seu preço se ele for questionado:
Parta do custo de aquisição real
O preço que você paga hoje pelo produto, não o de uma cotação antiga. Estoque já pago é vantagem; compra futura é risco a embutir.
Some os custos da entrega
Frete até a cidade do órgão, seguro e o número de remessas previstas no termo de referência.
Aplique os tributos do seu regime
Calcule pelo enquadramento real da empresa. ME e EPP no Simples têm carga diferente de quem está no lucro presumido.
Embuta o custo do prazo
Descubra na minuta quando o pagamento sai depois do aceite e trate esse intervalo como capital de giro emprestado.
Defina a margem e o piso
Só então acrescente o lucro — e anote o preço mínimo abaixo do qual você não desce, para respeitar na hora da sessão.
O piso que não se cruza
Existe um limite abaixo do qual o preço deixa de ser competitivo e passa a ser inviável: é o preço inexequível, a proposta tão baixa que não cobre os custos de execução. O órgão não é obrigado a aceitar de cara — pode abrir diligência para o licitante comprovar, com nota de compra e planilha, que consegue entregar por aquele valor. Em obras e serviços de engenharia há parâmetros que já presumem a inexequibilidade abaixo de certo ponto.
Enviou, o preço vale como está
Depois de enviada, a proposta é aquela. O edital diz que todos os custos já estão incluídos no preço — não se acrescenta frete, imposto nem reajuste depois. Por isso a conferência é antes do envio, nunca depois.
E lembre que preço não é só número: prazo de entrega irreal ou marca que você não consegue fornecer também derrubam a proposta, por mais barata que seja. Preço bom é o que você consegue cumprir do primeiro ao último item do objeto.
Perguntas frequentes
- Posso usar meu preço de venda normal na licitação?
- Não é recomendável. A venda ao governo tem frete até o órgão, entrega parcelada, prazo de pagamento e tributos do seu regime — tudo isso muda o custo. Monte o preço a partir do objeto do edital.
- Como sei quanto a concorrência vai cobrar?
- O preço que venceu licitações anteriores é público no PNCP. Comparar o que já foi homologado para o mesmo item, na sua região, é o melhor termômetro que existe.
- Qual o risco de dar um preço muito baixo?
- Além do prejuízo, a proposta pode ser considerada preço inexequível e você ter de comprovar que consegue entregar. Sem essa prova, é desclassificado.
- Depois de enviar, dá para corrigir o preço?
- Não para incluir custo esquecido. O edital considera que todos os custos já estão no valor ofertado. A conferência tem de acontecer antes do envio da proposta.
- Preciso guardar planilha de custos?
- Sim. Se o seu preço for questionado como baixo demais, é a planilha que comprova a viabilidade numa diligência — e é ela que te mostra o piso na hora do lance.
Os termos deste texto, explicados
Cada verbete traz o trecho como aparece no edital, a tradução em português e por que aquilo importa para você.
- PropostaÉ a sua oferta formal: o que você entrega, por quanto, e por quantos dias esse preço fica de pé. "Nele incluídos todos os custos" é a frase mais cara do edital — quer dizer que frete, imposto, embalagem, mão de obra e qualquer despesa já estão dentro do preço que você digitou. Depois não se acrescenta nada.
- Preço inexequívelÉ o preço tão baixo que a conta não fecha. Antes de desclassificar, o órgão dá a chance de você provar que consegue — mostrando nota de compra do fornecedor, planilha de custos, contrato parecido já executado. Em obra e serviço de engenharia existe um percentual de referência abaixo do qual a proposta já é presumida inexequível.
- ObjetoÉ a resposta curta para "o que o órgão está comprando". Aparece na primeira linha do edital e é o campo que você lê na busca antes de decidir se vale a pena abrir o PDF inteiro.
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- BlogPesquisa de mercado antes de dar o preçoAntes de enviar a proposta, faça sua própria pesquisa de mercado: custo real, teto do edital e onde o preço costuma parar. Veja as fontes e como montar a planilha.
- BlogMargem de lucro em licitação: quanto dá para ganharVender para o governo tem margem apertada, mas não é caridade. Veja o que come o seu lucro, quanto sobra de verdade e como definir a margem mínima antes de dar lance.
- BlogComposição de custos: como montar a suaA planilha de composição de custos sustenta o seu preço na licitação. Veja as camadas dela — mão de obra, encargos, insumos, tributos e lucro — e os erros que derrubam.
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Este conteúdo explica regras públicas em linguagem simples e não substitui a leitura integral do edital nem orientação jurídica. Regras, prazos e valores podem mudar por lei, decreto ou regulamento do órgão — o que vale para a sua disputa é o que está no edital.