Blog · Preço inexequível
Preço inexequível: quando sua proposta (ou a do concorrente) é baixa demais
Nem toda proposta barata é inexequível. Inexequível é a que não fecha a conta nem no melhor cenário — e isso vale tanto para o seu preço quanto para o do concorrente que ganhou.
O que é preço inexequível
Preço inexequível é a proposta tão baixa que não cobre o custo de executar o que foi contratado. Não é a proposta apenas "barata" — é a que não fecha a conta nem no melhor cenário, e por isso não se sustenta na hora da entrega.
A lei não gosta de preço inexequível por um motivo prático: contrato fechado abaixo do custo tende a não ser cumprido, e o prejudicado acaba sendo o serviço público. Por isso o órgão pode recusar uma proposta que pareça impossível — mas não de qualquer jeito, e não só por desconfiança.
Como o órgão avalia (e por que não desclassifica na hora)
Suspeitar não basta para desclassificar. Quando um preço chama atenção por ser baixo demais, o órgão abre uma diligência: pede ao licitante que comprove, com documento, que consegue entregar por aquele valor. Nota de compra, tabela do fornecedor, planilha de custos, contrato de fabricante — o que provar que o número fecha.
Em obras e serviços de engenharia a coisa é mais objetiva: existem parâmetros de referência abaixo dos quais a inexequibilidade já é presumida. Mesmo assim, a presunção admite prova em contrário — o licitante ainda tem a chance de demonstrar que a execução é viável.
O tema aparece nos dois lados do balcão
Ou é o seu preço que foi questionado, ou é o do concorrente que ganhou de você. A reação certa é diferente em cada caso:
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Seu preço foi apontado como inexequível. | Responda a diligência com planilha e notas que comprovem o custo real. |
| O preço não fecha nem na sua conta. | Não force o lance abaixo do piso — ganhar assim vira prejuízo e risco. |
| O concorrente venceu com valor impossível. | Aponte que o preço não se sustenta e peça a verificação da exequibilidade. |
Como comprovar que o seu preço é viável
Se a sua proposta foi questionada, a defesa é técnica e simples de organizar quando a planilha já existe. A chave é comprovar que o número não saiu do nada:
Releia o objeto e o termo de referência
Confirme o que exatamente foi pedido no objeto e no termo de referência: quantidade, prazo, local. A comprovação tem que bater com isso.
Monte a planilha de custos
Detalhe custo de aquisição, frete, tributos e margem. O número final tem que ser o preço da proposta, sem buraco na conta.
Junte a prova documental
Nota de compra recente, tabela do fornecedor, comprovação de estoque já pago. Escala, regime tributário e proximidade explicam preço baixo de forma legítima.
Responda dentro do prazo da diligência
A chance de comprovar tem hora para acabar. Fora do prazo, a desclassificação por inexequibilidade vira definitiva.
Quando desconfiar do preço do concorrente
Do outro lado, nem todo preço muito baixo é irregular. Muitas vezes o concorrente tem escala de compra, regime tributário mais leve, estoque já pago ou fica ao lado do órgão — e isso é competição legítima, não mágica.
Mas existe o preço que ninguém sustenta. Se o valor vencedor não cobre nem o custo do produto no mercado, você pode apontar isso ao pregoeiro e pedir que a exequibilidade seja verificada em diligência, antes da homologação. O objetivo não é reclamar de ter perdido — é evitar um contrato que vai furar no meio do caminho.
E se você já ganhou com preço apertado
Às vezes a inexequibilidade não aparece na disputa: você venceu com um preço apertado, comprovou na diligência e assinou. O risco então se desloca para a execução, quando o custo real bate na porta. Aí não há mais diligência que salve — o contrato precisa ser cumprido pelo valor combinado, e o atraso ou a entrega ruim expõem a penalidade.
A lição serve para os dois lados do balcão. Se o seu preço foi validado, honre-o e organize a operação para caber nele. E se, ainda na sessão, você percebe que o número não fecha nem com a melhor logística, o movimento certo é parar de baixar: não vale trocar a derrota de hoje pelo prejuízo dos próximos meses.
Perguntas frequentes
- O que é preço inexequível?
- É a proposta tão baixa que não cobre o custo de executar o contrato. Diferente de apenas barata, é a que não fecha a conta nem no melhor cenário.
- Preço baixo é motivo automático de desclassificação?
- Não. O órgão precisa abrir diligência e dar ao licitante a chance de comprovar que consegue entregar por aquele valor. Só se não comprovar é que desclassifica.
- Como comprovo que meu preço é viável?
- Com planilha de custos e prova documental — nota de compra, tabela do fornecedor, estoque já pago. O número tem que fechar com o objeto do edital.
- Meu concorrente ganhou com um preço impossível. Posso fazer algo?
- Pode apontar ao pregoeiro que o valor não se sustenta e pedir verificação em diligência antes da homologação. É diferente de recorrer só por ter perdido.
- Em obras o critério é o mesmo?
- É mais objetivo: há parâmetros de referência que já presumem a inexequibilidade abaixo de certo ponto. Ainda assim, o licitante pode comprovar viabilidade.
Os termos deste texto, explicados
Cada verbete traz o trecho como aparece no edital, a tradução em português e por que aquilo importa para você.
- Preço inexequívelÉ o preço tão baixo que a conta não fecha. Antes de desclassificar, o órgão dá a chance de você provar que consegue — mostrando nota de compra do fornecedor, planilha de custos, contrato parecido já executado. Em obra e serviço de engenharia existe um percentual de referência abaixo do qual a proposta já é presumida inexequível.
- PropostaÉ a sua oferta formal: o que você entrega, por quanto, e por quantos dias esse preço fica de pé. "Nele incluídos todos os custos" é a frase mais cara do edital — quer dizer que frete, imposto, embalagem, mão de obra e qualquer despesa já estão dentro do preço que você digitou. Depois não se acrescenta nada.
- DiligênciaÉ o pregoeiro pedindo esclarecimento: uma ligação para o cliente que assinou seu atestado, um pedido de planilha detalhando seu preço, a confirmação de um dado da proposta. Ele pode fazer isso a qualquer momento.
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Este conteúdo explica regras públicas em linguagem simples e não substitui a leitura integral do edital nem orientação jurídica. Regras, prazos e valores podem mudar por lei, decreto ou regulamento do órgão — o que vale para a sua disputa é o que está no edital.