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Blog · Material de construção

Licitação de material de construção e ferragens: por onde começar

Cimento, tinta, tubo, telha, parafuso: material de construção é uma das compras mais constantes do setor público. O que separa quem vende de quem só olha é entender como o edital descreve o item.

5 min de leitura

Quem compra material de construção — e o ano inteiro

Prefeitura é o maior comprador de material de construção do país, e não só quando faz uma obra grande. A secretaria de obras repõe cimento e vergalhão para os reparos do dia a dia; a de educação compra tinta e telha para reformar escola; a de saúde precisa de material hidráulico para o posto; o almoxarifado central mantém estoque de ferragem, parafuso e EPI. Some autarquias, câmaras, hospitais e universidades e você tem compra saindo o ano inteiro, em toda cidade.

Isso é bom para quem é pequeno: o volume por compra costuma ser fracionado, boa parte é comprada por pregão eletrônico de menor preço, e o material é padronizado — você não precisa de projeto de engenharia para vender um saco de cimento CP II. O que você precisa é entender como o edital descreve aquilo que já está na sua prateleira.

O item não se chama como você o chama

O que está sendo comprado é o objeto, e a especificação detalhada mora no termo de referência. É lá que o edital diz "cimento Portland CP II-E-32, saco de 50 kg, conforme NBR", ou "tinta acrílica fosca, lavável, rendimento mínimo tantos m² por litro". A administração descreve pela norma técnica e pela função, não pela marca da sua loja.

Quando o edital cita uma marca, quase sempre vem seguida de "ou similar" / "ou de qualidade equivalente" — a marca é referência de padrão, não exigência. O erro clássico é ofertar um produto de especificação abaixo da pedida para ganhar no preço: na conferência da amostra ou na entrega, isso vira produto recusado e, no limite, penalidade. Leia a ficha técnica do seu fornecedor e confira gramatura, norma e rendimento antes de dar preço.

Lote ou item: onde a empresa pequena se enrola

Material de construção é o reino da compra por lote. O órgão junta dezenas de itens — de prego a caixa d'água — em grupos, e a disputa é pelo lote inteiro: você fornece todos os itens do grupo ou não fornece nenhum. Muita loja envia proposta pensando nos cinco produtos que domina, ganha o lote, e descobre que precisa comprar os outros vinte de terceiro, sem margem.

FormatoComo disputaCuidado principal
Por itemCada produto é uma disputa isoladaDá para focar só no que você tem preço bom
Por lote (grupo)Ganha quem tem o menor preço do grupo todoÉ tudo ou nada: precifique item a item antes

Antes do preço, leia a planilha de itens do lote inteiro e marque o que você realmente entrega com margem. Se o órgão amontoou num único lote coisas sem relação — hidráulica com material elétrico e gêneros de limpeza, por exemplo —, isso restringe a competição e costuma ser caso de pedido de esclarecimento para pedir o desmembramento.

Montar a proposta: o preço já inclui tudo

A proposta de material tem uma regra que derruba loja de balcão: o preço ofertado já inclui todos os custos — frete até o endereço do órgão, carga e descarga, tributos do seu regime e o prazo de pagamento, que sai depois do aceite. Não se acrescenta nada depois. Vender 300 sacos de cimento para o governo não é vender 300 sacos na loja: é entregar num almoxarifado específico, muitas vezes de forma parcelada ao longo de semanas.

  • Frete até a cidade do órgão, com carga e descarga, embutido no preço unitário.
  • Número de entregas: entrega única ou parcelada ao longo de meses?
  • Imposto do seu regime (Simples, presumido) sobre o valor da venda pública.
  • Prazo de pagamento da minuta de contrato — o dinheiro entra depois do aceite.
  • Validade da proposta e prazo de entrega que você consegue cumprir de verdade.

Quando o seu preço vier agressivo — porque você comprou em escala ou tem estoque já pago —, tenha a planilha de custos pronta. É ela que responde a uma eventual acusação de preço inexequível, em que o órgão pede que você comprove que consegue entregar por aquele valor.

Registro de preços: por que compensa acompanhar

Boa parte do material de construção é comprada por registro de preços. Em vez de comprar tudo de uma vez, o órgão registra o seu preço numa ata de registro de preços e vai pedindo conforme a necessidade, dentro do prazo de vigência. Você não recebe o pedido todo de uma vez: cada entrega é acionada por uma nota de empenho, com a quantidade exata.

O que joga a favor de quem é pequeno

Material de construção é um setor cheio de compras de valor menor, exatamente onde a lei protege a empresa pequena. Itens de menor valor podem sair como licitação exclusiva para ME/EPP (a LC 123 usa a faixa de até R$ 80 mil), e em compras divisíveis o órgão pode reservar uma cota de até 25% do objeto para as pequenas. Vale filtrar por essas oportunidades.

E, na disputa aberta, existe o empate ficto: no pregão, se a sua proposta de ME/EPP ficar até 5% acima do menor preço, você é chamado para cobrir aquele valor antes de o item ser fechado. É uma segunda chance que a empresa grande não tem — mas só funciona se você declarou o porte no envio da proposta. Confira essa caixinha em toda disputa.

Perguntas frequentes

Preciso de registro no CREA para vender material de construção?
Para vender o material (fornecimento de produto), em geral não — o CREA e a ART são exigência de obra e serviço de engenharia. Confira sempre a habilitação técnica pedida no termo de referência do edital.
O edital cita uma marca específica. Sou obrigado a fornecer aquela?
Quase sempre a marca vem como referência de padrão, seguida de "ou similar/equivalente". Você pode ofertar outro produto de especificação igual ou superior. Se a marca aparecer sem essa abertura, é caso de pedido de esclarecimento.
Ganhei um lote, mas só fabrico parte dos itens. E agora?
No lote é tudo ou nada: você tem de entregar todos os itens do grupo. Por isso precifique o lote inteiro antes de disputar, contando o custo de comprar de terceiro o que você não tem.
O governo paga na entrega?
Não. O pagamento sai depois do aceite do material e dentro do prazo da minuta de contrato. Some isso ao seu fluxo de caixa e nunca entregue sem a nota de empenho.
Como fico sabendo das compras de material da minha região?
Editais e resultados são públicos no PNCP. Salvar uma busca do seu ramo e receber aviso quando aparecer algo novo evita descobrir o edital com o prazo já em cima.

Os termos deste texto, explicados

Cada verbete traz o trecho como aparece no edital, a tradução em português e por que aquilo importa para você.

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Este conteúdo explica regras públicas em linguagem simples e não substitui a leitura integral do edital nem orientação jurídica. Regras, prazos e valores podem mudar por lei, decreto ou regulamento do órgão — o que vale para a sua disputa é o que está no edital.