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Repactuação: reajustar contrato de mão de obra
Se sua empresa presta serviço com equipe alocada no órgão — limpeza, vigilância, portaria — o custo da folha muda todo ano com a convenção coletiva. A repactuação é o mecanismo que passa esse aumento para o contrato. Mas ela tem prazo, e quem deixa passar perde.
O que é repactuação (e por que não é reajuste)
Repactuação é a forma de atualizar o preço de um contrato administrativo de serviço contínuo com mão de obra dedicada, na parte que corresponde ao custo da folha de pagamento. Quando a convenção coletiva da categoria reajusta salário e benefícios, a empresa passa a gastar mais com a equipe — e a repactuação repassa exatamente esse aumento.
É diferente de reajuste. O reajuste corrige preços por um índice (IPCA, INPC) e cuida da parte de insumos e materiais. A repactuação não usa índice: ela olha o custo real da mão de obra, item por item da planilha, à luz da nova convenção. Confundir os dois é o primeiro erro — e leva a pedir a coisa errada.
Para quem serve
A repactuação é para contratos em que a maior parte do preço é gente trabalhando no local: limpeza e conservação, vigilância, portaria, recepção, copeiragem, manutenção predial, apoio administrativo. Nesses contratos, o edital e a minuta trazem uma planilha de custos e formação de preços que abre salário, encargos, benefícios e insumos.
Se o seu contrato é de fornecimento de produto, ou de serviço sem equipe alocada, o caminho não é a repactuação — é o reajuste por índice ou, em caso de evento imprevisível, a revisão. A repactuação existe justamente porque o custo de mão de obra sobe por negociação coletiva, num calendário próprio, que um índice de inflação não captura.
Reajuste, repactuação e revisão: não confunda
| Mecanismo | Serve para | Como se calcula |
|---|---|---|
| Reajuste | Insumos e materiais | Índice de preços previsto no contrato |
| Repactuação | Mão de obra dedicada | Nova convenção coletiva, na planilha de custos |
| Revisão (reequilíbrio) | Evento imprevisível e extraordinário | Demonstração do desequilíbrio concreto |
Os três atualizam preço, mas por motivos e regras diferentes. Pedir revisão quando o caso era repactuação, ou vice-versa, costuma travar o processo e fazer você perder tempo — e às vezes o prazo. Identifique o mecanismo certo antes de protocolar qualquer coisa.
O gatilho: a convenção coletiva e a data-base
O que dispara a repactuação é a nova convenção coletiva de trabalho da categoria. Cada categoria tem uma data-base — o mês em que o acordo é renovado e os salários reajustados. É a partir dessa data que nasce o direito de repactuar o custo de mão de obra.
Em regra, há um interregno mínimo de um ano, contado da data-base, entre uma repactuação e a seguinte para o mesmo item de custo. Como cada convenção vale por um período, a repactuação acompanha esse ciclo anual. O edital e o contrato detalham o critério; leia-os para saber a partir de quando pedir.
Como pedir a repactuação
Aguarde a convenção ser publicada
O pedido se apoia na convenção nova. Sem ela registrada, não há base de cálculo — o direito existe, mas a prova ainda não.
Refaça a planilha de custos
Atualize salário, encargos e benefícios conforme a nova convenção, mantendo a mesma estrutura da planilha original do contrato. O que muda é só o que a convenção mudou.
Demonstre a diferença
Mostre, linha a linha, o valor antigo e o novo. O órgão precisa enxergar de onde vem cada centavo do aumento pedido.
Protocole com os documentos
Junte a convenção coletiva e a planilha refeita. Pedido sem a convenção anexada quase sempre volta.
Acompanhe a análise e a formalização
O órgão confere os cálculos. Estando corretos, a atualização é formalizada — em muitos casos por apostilamento, quando é só o repasse da convenção, e por termo aditivo quando há outras alterações.
A armadilha do prazo
Na prática, isso significa manter um calendário: sabendo a data-base da sua categoria, você já espera a convenção e protocola o pedido logo. Empresa que trata repactuação como burocracia de fim de contrato costuma pagar aumento de salário do próprio bolso por meses.
Depois de aprovada: o dinheiro precisa estar reservado
Aprovada a repactuação, o preço do contrato sobe — e o órgão precisa garantir recurso para pagar o novo valor. Isso aparece como reforço de empenho: a dotação orçamentária reservada é ampliada para cobrir a diferença. Sem esse reforço, o aumento existe no papel, mas não há como quitar.
Por isso, acompanhe até o fim. A repactuação só se completa quando a nova planilha é aceita, o instrumento é formalizado e o empenho passa a comportar o valor atualizado. A partir daí, a fatura já sai pelo preço novo.
Perguntas frequentes
- Qual a diferença entre reajuste e repactuação?
- Reajuste corrige preços por um índice e cuida de insumos e materiais. Repactuação atualiza o custo de mão de obra dedicada com base na nova convenção coletiva, na planilha de custos. São mecanismos distintos, com regras próprias.
- Quando posso pedir a repactuação?
- A partir da publicação da nova convenção coletiva da categoria, respeitado, em regra, o interregno de um ano contado da data-base. O edital e o contrato administrativo detalham o critério — confira neles.
- Posso perder o direito à repactuação?
- Pode. Se você prorroga ou renova o contrato sem ressalvar o direito referente à convenção já vigente, costuma ocorrer preclusão daquele ciclo. Peça assim que a convenção sair, sem esperar a renovação.
- A repactuação vale para qualquer contrato?
- Não. É para contratos de serviço contínuo com mão de obra dedicada, como limpeza e vigilância. Fornecimento de produto e serviços sem equipe alocada seguem por reajuste ou revisão, conforme o caso.
- O que acontece com o empenho depois da repactuação?
- O preço sobe, então o órgão faz reforço de empenho para reservar recurso suficiente. Só com a dotação ampliada a fatura pode sair pelo valor atualizado.
Os termos deste texto, explicados
Cada verbete traz o trecho como aparece no edital, a tradução em português e por que aquilo importa para você.
- Contrato administrativoÉ o contrato entre você e o órgão público. Ele não é um contrato comum: a Administração tem poderes que o cliente privado não tem — pode fiscalizar de perto, aplicar penalidade e, dentro de limites legais, alterar quantidades. Em compensação, o pagamento é regido por regra pública e a ordem de pagamento é a das datas de entrega.
- Nota de empenhoÉ o documento em que o órgão reserva o dinheiro para pagar você. Sem empenho, não há pagamento — nenhum servidor pode autorizar despesa sem ele. Em compras simples, a nota de empenho substitui o contrato: ela é a autorização para entregar.
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Este conteúdo explica regras públicas em linguagem simples e não substitui a leitura integral do edital nem orientação jurídica. Regras, prazos e valores podem mudar por lei, decreto ou regulamento do órgão — o que vale para a sua disputa é o que está no edital.